Startup de pai e filho recebe aporte da Koinz Capital e mira próxima rodada


A Move Smart, startup de robótica fundada por pai e filho no Paraná, acaba de levantar seu primeiro aporte, em uma rodada pré-seed de R$ 550 mil com a Koinz Capital. A empresa desenvolve robôs móveis autônomos para intralogística industrial e foca no pós-venda como diferencial competitivo contra concorrentes internacionais.
A ideia partiu de Paulo Leite, empresário com mais de 30 anos de atuação no setor de automação industrial e fundador de outras duas empresas do segmento. Com Paulo à frente da parte operacional e de gestão, o filho Juan Leite, de 23 anos, estudante de Psicologia, ficou responsável pelo marketing, vendas e captação. O terceiro sócio, o cientista da computação Fernando Morgado, é o responsável pela área tecnológica.
Segundo os fundadores, o aporte será direcionado principalmente à estruturação da equipe, capacitação interna e consolidação da governança. A expectativa é que essa etapa sirva como base para a abertura de uma nova rodada de captação em breve.
A proposta da startup é substituir parte das operações realizadas hoje por empilhadeiras e operadores expostos a risco por robôs móveis autônomos (AMRs), capazes de transportar cargas entre 100 quilos e duas toneladas. Os equipamentos navegam de forma autônoma, sem trilhos, fitas magnéticas ou infraestrutura física dedicada, utilizando mapeamento do ambiente em tempo real.
O foco inicial da empresa está em operações de carregamento de pallets e movimentação interna de grandes volumes, especialmente em fábricas e centros de distribuição.
A tecnologia foi desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Além do hardware, a Move Smart desenvolveu uma camada própria de software para operação e monitoramento da frota.
O sistema de gestão, chamado Nexus, centraliza o controle dos robôs, enquanto o módulo Smart Care permite o acompanhamento remoto do desempenho dos equipamentos e a identificação preditiva de falhas. Segundo a empresa, a proposta é atuar antes que ocorram paradas de produção, reduzindo o impacto operacional para os clientes e o tempo de indisponibilidade dos robôs.
De acordo com Juan Leite, um dos principais diferenciais da empresa em relação a soluções estrangeiras está no suporte local. “O suporte é praticamente inexistente em muitos casos. Já tivemos casos de clientes que compraram robôs da China ou da Europa, e não tinham representantes no Brasil para fazer consertos, dar esse suporte pós-venda. Ter uma equipe técnica local e acompanhamento remoto faz diferença para o cliente”, afirma.
Hoje, a Move Smart atende um cliente do setor de embalagens, uma gráfica localizada em Londrina. A empresa afirma que a tecnologia pode ser aplicada em diferentes segmentos industriais, mas a estratégia comercial está concentrada em operações de maior escala, onde o payback é maior.
Para a Koinz Capital, o investimento se justifica pela combinação entre tecnologia proprietária, aplicação prática e potencial de escala. Segundo Henrique Valicente, gestor de portfólio e dealflow da gestora, trata-se de uma solução nacional com perfil disruptivo para um setor tradicionalmente pouco explorado por startups de base tecnológica no Brasil.
A Koinz opera com um modelo baseado em capital intelectual. Os investimentos são realizados diretamente pelos membros do fundo, que passam a integrar um conselho consultivo formado por cinco especialistas. Esse conselho tem como papel apoiar a estruturação da empresa, a governança e o planejamento de novas rodadas.
A Move Smart já apresentou o projeto aos membros da Koinz e está em fase de definição dos nomes que irão compor o conselho.
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