Hiker Ventures planeja novo fundo de R$ 80M para 2026

Os sócios da Hiker: Rodrigo Moreira, Ana Ragil e Guilherme Chernicharo | Crédito: Porto Filmes
Os sócios da Hiker: Rodrigo Moreira, Ana Ragil e Guilherme Chernicharo | Crédito: Porto Filmes

A Hiker Ventures, gestora de venture capital criada pela boutique de M&As Araújo Fontes, mal completou seu terceiro ano de operação e já está pensando em lançar o seu segundo fundo. A casa, que iniciou oficialmente seu primeiro veículo em janeiro de 2023, se prepara para captar, em 2026, um novo fundo de aproximadamente R$ 80 milhões.

Em entrevista ao Startups, Guilherme Chernicharo, sócio da Hiker Ventures, conta que o atual fundo, de R$ 50 milhões, já está próximo de concluir seu ciclo de investimentos. “Hoje temos nove investidas e devemos encerrar o ano com algo entre 10 e 11 empresas. A expectativa é finalizar todos os aportes no primeiro trimestre”, afirma. Segundo ele, ainda há cerca de R$ 10 milhões para serem alocados.

A proposta para o segundo fundo é ampliar o número de empresas investidas, chegando próximo de algo entre 15 e 20 startups. Assim como o Fundo 1, o Fundo 2 deverá ser agnóstico. No entanto, Guilherme afirma que a tese ainda está sendo refinada.

“Esse conceito de ecossistema que a Hiker está buscado está fazendo muito sentido, então já estamos olhando para deals não convencionais, não apenas de early-stage e startups, mas até mesmo com cheques superiores, de R$ 5 milhões. Até porque, como a gente brinca, nosso DNA é de private equity”, afirma Guilherme.

Entre os segmentos que mais têm despertado interesse estão saúde, infraestrutura financeira — especialmente meios de pagamento — e soluções com uso de inteligência artificial voltadas à produtividade, principalmente para áreas de backoffice. “Na parte de IA para produtividade está pipocando para todos os lados”, afirma.

A gestora acredita que consegue apoiar empresas de diferentes setores justamente pela experiência operacional e transacional herdada da Araújo Fontes, boutique especializada em fusões e aquisições.

“A gente precisa ter uma profundidade grande e especialistas nos ajudando tanto na análise do investimento, quanto no suporte para a investida. Temos bons cases que estão mostrando um tracking legal para irmos para o segundo fundo bem confiante”, comemora Guilherme.

De acordo com o sócio da Hiker, uma das investidas do primeiro fundo já chegou a receber propostas de aquisição, com crescimento de 15 vezes do valuation nos últimos dois anos. Ele não recebeu autorização dos fundadores para citar o nome da empresa.

Outro caso é a proptech MySide, que captou em julho do ano passado R$ 5 milhões em uma extensão da sua rodada seed, fechada em um total de R$ 12 milhões. O novo aporte foi liderado pela Terracotta Ventures e pela Hiker. Guilherme citou ainda a Datlo, startup de IA que levantou também no ano passado uma extensão da rodada seed no valor de R$ 4 milhões com a Hiker.

“São empresas que estão crescendo de maneira sólida, mais de 70%. Uma mais do que dobrou. E estão em mercados zero charmosos, no caso da MySide, que enfrenta um cenário macro bem desafiador. Mas isso sustenta a nossa tese de que bons founders conseguem superar essas dificuldades”, aponta.

Aceleradora

Além da atuação como fundo, a Hiker também criou recentemente a Base Camp, uma nova unidade de negócios que reúne aceleradora e soluções para apoiar empreendedores que, necessariamente, não têm fit imediato com a tese do fundo.

“É zero vinculada a equity, justamente para não gerar conflito de interesse. Pode surgir oportunidade de investimento, mas não existe nada obrigatório”, reforça Guilherme.

A expectativa é atender cerca de 45 empreendedores nos próximos seis meses, dentro de uma jornada estruturada de 12 meses. Entre as principais entregas estão mentorias, acesso a networking e apoio prático em temas de gestão, estruturação e crescimento.

“O grande objetivo é fazer com que esse link entre fundos, comunidades, empreendedores e empresas tenha cada vez mais sinergia. Tem eventos e iniciativas que, como fundo, a gente até tentava fazer, mas como Base Camp conseguimos executar com muito mais profundidade e estrutura.”

Segundo o sócio, muitas das soluções desenvolvidas dentro da Base Camp também devem ser disponibilizadas para as próprias investidas da Hiker, além de criar oportunidades de colaboração entre as empresas do portfólio. “O nosso objetivo é ajudar as empresas a chegar até o exit”, afirma.

Cabeça de sócio

Os principais LPs da Hiker são family offices. O banco BMG participa como sócio da operação e também é investidor do primeiro fundo. A Araújo Fontes, que deu origem à gestora, segue como pilar estratégico da estrutura.

“Normalmente são family offices com os quais a gente já tem uma relação próxima. A gente sempre diz que não quer ser visto apenas como investidor, mas como sócio. E a mesma coisa a gente fala para os LPs. Queremos pessoas dispostas a agregar, abrir portas e participar da construção”, diz.

Para Guilherme, o fato de ter fundos relativamente pequenos ajuda a manter a tese de proximidade das investidas e contribuir na jornada de cada uma delas. “E para fazer isso acontecer com estrutura de fundo grande a gente tem o Base Camp para encorpar bem o nosso time”, acrescenta.

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