Essa startup usa stablecoins para reinventar o cross-border B2B

Nildson Alves, CEO da Onda Finance | Foto: Divulgação
Nildson Alves, CEO da Onda Finance | Foto: Divulgação

As stablecoins se tornaram a infraestrutura da vez no mercado de pagamentos cross-border, tendência que ganhou ainda mais força após a regulamentação das criptomoedas por parte do Banco Central, que entrou em vigor neste mês. Um dos players que estão apostando nessa tecnologia é a fintech Onda Finance, que está incorporando stablecoins às possibilidades de trade finance para empresas de médio porte.

A proposta da startup é funcionar como uma camada de execução para operações internacionais, combinando bancos, stablecoins, blockchain e automação em uma única plataforma. Com isso, a ideia é oferecer a essas empresas que ainda não são multinacionais – e, na prática, não conseguem acessar estruturas de grandes bancos como Itaú BBA e JPMorgan Chase – a chance de se posicionar globalmente.

“A gente entende a necessidade do cliente e entrega conta multimoeda, em 13 moedas, com estrutura local para trabalhar operações internacionais, pagar fora e usar uma carteira digital integrada. Além disso, acesso a um cartão colaterizado em cripto, que autoriza altos volumes, acima de US$ 100 mil em swap”, explica Nildson Alves, CEO da Onda Finance.

Segundo ele, a proposta é utilizar a infraestrutura que fizer mais sentido para cada operação, sem que necessariamente o cliente precise saber se está enviando e recebendo dinheiro por SWIFT ou stablecoins, por exemplo. “A plataforma permite fazer o máximo possível em autosserviço. A diferenciação está nos produtos. Nós somos executores da decisão do cliente. Usamos o que é preciso para atender às necessidades dele e, para isso, integramos stablecoins às possibilidades”, aponta.

A estratégia ajudou a acelerar a tração da empresa. Fundada em 2024, a Onda Finance registrou um salto de 300 vezes no seu primeiro ano de operação, saindo de cerca de 300 mil para mais de 100 milhões de transações mensais em apenas nove meses. No período, a fintech movimentou R$ 4,5 bilhões em volume financeiro.

Os fundadores são um time complementar, que entende tanto o lado da tecnologia, quanto as dores das indústrias do chamado middle market – com faturamento entre US$ 5 milhões e US$ 250 milhões –, onde a fintech se posiciona.

Com passagem por empresas como a Microsoft e a IBM, Nildson construiu uma carreira de duas décadas atuando em inovação e desenvolvimento de soluções tecnológicas em larga escala. Já Renato Lima, cofundador e diretor de operações da Onda Finance, tem mais de 20 anos de experiência na construção civil, com atuação em grandes projetos de infraestrutura e consórcios entre governos e empresas privadas, com forte foco em gestão e governança.

A leitura de Nildson é que a entrada em vigor do novo marco regulatório criou, ao mesmo tempo, um filtro mais rigoroso para o mercado e uma oportunidade para empresas que já vinham se estruturando antes da norma. A Onda, segundo ele, nasceu já desenhada para operar como gestora de ativos virtuais, figura que passou a existir formalmente com a regulamentação conduzida pelo Banco Central do Brasil.

“Montamos toda a estrutura antes da regulação. A gente já vinha acompanhando as regras internacionais, preparando compliance, governança e processos. Quando a regulação chegou, ela trouxe mais barreiras de entrada, mas, para quem já estava pronto, ampliou o que é possível fazer”, afirma.

Depois de iniciar a operação com recursos próprios e captação Family and Friends, a Onda Finance agora acelera sua expansão apoiada no novo ambiente regulatório. Para Nildson, a combinação entre estabilidade jurídica, automação e uso pragmático de stablecoins tende a redefinir o acesso de empresas médias ao mercado internacional.

No exterior, a Onda já opera no Canadá, Estados Unidos e Europa, com início por Malta, e planos de estabelecer presença também em Portugal e Espanha. A empresa ainda estrutura operações em Hong Kong e mantém conexão direta com a Tether para emissão de USDT.

Outro pilar da expansão internacional é a capacidade de operar contas de não residentes dentro de uma estrutura que permite pagamentos dolarizados. Segundo Nildson, hoje já é possível transferir recursos de uma conta em dólar no Brasil para uma conta nos Estados Unidos em cerca de 16 segundos, 24 horas por dia, por meio de uma infraestrutura própria que não utiliza Pix nem stablecoins.

Entre os clientes já atendidos no Brasil estão empresas como a Eldorado Brasil Celulose, a Carraro Móveis, a Mata Norte Alimentos e a Jumbo Alimentos. A fintech também começa a estruturar operações voltadas a portos e cadeias logísticas.

Para dar suporte ao crescimento, a Onda Finance está trazendo dois bancos parceiros para sustentar a demanda de back-end e ampliar a capacidade de atendimento. Em paralelo, a empresa está em processo de captação de recursos, incluindo conversas com fundos de venture capital.

A operação já conta com licença no Canadá e segue expandindo sua atuação regulatória fora do Brasil. “A Onda não fala com outros players de ativos digitais. A gente fala com o cliente final. Nosso foco é entender o negócio dele e executar a melhor forma de viabilizar aquela operação”, resume Nildson.

Internamente, a estrutura foi desenhada para acompanhar o nível de complexidade das operações. Há um time comercial, uma mesa dedicada a onboarding e operações mais simples, além de um time de customer success acionado nos casos em que o cliente precisa de mais suporte.

“A gente dá apoio desde a inicialização do processo até o acompanhamento da operação, para o time do cliente se preparar. No fim das contas, o que o cliente busca é segurança e garantias de que o processo dele não vai ser mudado”, afirma o CEO.

O post Essa startup usa stablecoins para reinventar o cross-border B2B apareceu primeiro em Startups.

Formulário de contato

Artigos Relacionados