A empresa brasileira por trás da IA usada pela Embraer


Uma empresa brasileira fundada há mais de uma década está por trás de modelos de inteligência artificial usados hoje por algumas das maiores corporações do país — e de setores onde alucinações simplesmente não são uma opção. Fundada em Florianópolis em 2012, a Aquarela Analytics construiu sua trajetória desenvolvendo soluções de IA corporativa, análise de dados e modelos próprios, incluindo LLMs, voltados a problemas críticos de negócios em segmentos como aeroespacial, automotivo, de energia, telecomunicações, entre outros.
A primeira nota fiscal da companhia foi emitida para um projeto de IA para o Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2013, quando inteligência artificial ainda era “ficção científica”. “Ninguém entendia direito o que era. Hoje, eu consigo explicar para a minha mãe o que eu faço”, brinca Marcos Santos, CEO da Aquarela Analytics.
Um dos projetos mais recentes da empresa é com a Embraer, companhia que mantém uma relação com a Aquarela desde 2015. As duas empresas desenvolveram juntas uma solução chamada Smart Planning, criada para para aumentar a eficiência operacional da fabricante de aeronaves por meio de decisões orientadas a dados.
O projeto foi conduzido ao longo de dez meses e envolveu uma avaliação detalhada de mais de dois terabytes de informações, com o objetivo de integrar processos e otimizar a cadeia de suprimentos da Embraer. Para isso, foram combinadas metodologias ágeis da própria Embraer com a Data Culture Methodology (DCM), metodologia proprietária da Aquarela.
A ideia, segundo Marcos, é que a tecnologia ajude a fazer um controle de estoque e produtos que seja mais eficiente. “Um avião é composto por milhões de peças, com uma cadeia de fornecimento global e componentes caros. Só a cafeteira do avião custa US$ 10 mil, para se ter uma ideia. Então, quanto mais componentes em estoque eu tenho, mais dinheiro parado. Ao mesmo tempo, se eu não tenho um estoque suficiente, corro o risco de o avião não decolar, o que também custa caro. É um cobertor curto, com uma explosão combinatória imensa”, afirma.
De acordo com o CEO da Aquarela, a IA permite fazer essas combinações que a mente humana não seria capaz de calcular e informar os melhores cenários, através de simulações.
Projetos como esse ajudam a explicar por que a Aquarela se posiciona como fornecedora de IA corporativa, e não apenas de soluções genéricas de inteligência artificial. Em setores como aviação, defesa e governo, não há espaço para alucinação, respostas criativas demais ou comportamentos imprevisíveis.
“IA corporativa não pode inventar. Quando não sabe, precisa dizer: eu não sei. Em alguns casos, essa IA vai ser até menos servil, porque ao contrário de modelos como o ChatGPT, por exemplo, que são centrados no usuário, a IA corporativa é centrada no negócio”, afirma Marcos.
Outro diferencial é que esses sistemas podem rodar dentro da intranet das empresas, sem necessidade de acesso a informações externas irrelevantes para o negócio. “Um sistema que controla estoque não precisa saber quantas Copas do Mundo o Brasil ganhou”, exemplifica o executivo.
Essa abordagem, segundo Marcos, reduz riscos geopolíticos, aumenta a soberania sobre os dados e mantém o foco no objetivo de negócio.
Além da Embraer, a Aquarela tem clientes como Mercedes Benz, Scania, Coca-Cola, Hospital das Clínicas, Telefônica Vivo, entre outras. Apesar de já ter atuado com órgãos públicos no passado, a Aquarela mantém hoje uma base limitada de contas governamentais, em parte pela complexidade e pelas particularidades desse mercado. Para 2026, porém, a companhia planeja expandir sua atuação nesse setor.
“Vender para governo é um universo diferente, estamos capacitando nosso time comercial para focar nesse segmento. A questão da soberania é especialmente importante para a administração pública, e o fato de termos modelos de IA próprios é um diferencial estratégico”, avalia o executivo.
O post A empresa brasileira por trás da IA usada pela Embraer apareceu primeiro em Startups.