Com “open finance” do ensino, Educaopen quer escalar em 2026


Fintech por natureza, a Educaopen nasceu originalmente com o plano de aproveitar o open finance para ser uma plataforma de inteligência generalista. Entretanto, às voltas com um mercado competitivo, ela encontrou seu caminho de crescimento em uma vertical específica: a educação – ou melhor, o uso dos dados financeiros abertos para apoiar instituições de ensino para a análise na concessão de bolsas.
“A gente percebeu que estava construindo algo tecnicamente interessante, mas pouco específico. E quando você é pouco específico, você vira facilmente substituível”, resume Daniel Carneiro, um dos fundadores da fintech, em conversa com o Startups.
Fundada em 2023, a startup carioca fundada por Daniel Carneiro e Daniel Maia só começou a se tornar a Educaopen em meados de 2024, a partir de um projeto com o Instituto Salta, ONG focada na concessão de bolsas de estudos a jovens de baixa renda.
Segundo os fundadores, a insight nasceu da prática. Ao conversar com a universidade e outras instituições de ensino interessadas, os fundadores perceberam que havia uma lacuna enorme na concessão de bolsas e descontos. “O processo era pouco estruturado, muitas vezes manual, com baixa previsibilidade financeira e risco elevado de inadimplência”, destaca Daniel Maia.
Pouco tempo depois, a validação veio com a PUC-Rio, que viu na plataforma uma oportunidade de otimizar seu processo de análise na hora de conceder bolsas de estudo a alunos da graduação. Em 2025, cerca de 200 estudantes foram contemplados com bolsas na universidade. Com os ganhos de eficiência trazidos pela nova plataforma, a instituição agora já mira o próximo passo: usar a ferramenta também para estruturar a renegociação de débitos.
Conforme explicam os fundadores, a plataforma Educaopen utiliza dados do open finance para analisar informações como renda, do patrimônio e das despesas familiares, reduzindo etapas operacionais e aumentando a precisão das análises. Com isso, a universidade aprimora sua gestão financeira e direciona recursos de forma mais estratégica e transparente.
“Estamos trazendo mais eficiência e objetividade para um processo historicamente complexo. Em muitos casos, a instituição melhora sua gestão financeira ao conseguir precificar melhor o desconto. Não é sobre dar menos bolsa, é sobre dar bolsa melhor”, diz Maia.
De acordo com os fundadores, mesmo sendo uma solução bastante verticalizada, o mercado endereçável – e os valores movimentados nas concessões de bolsa – é considerável. Segundo dados do Ministério do Planejamento divulgados em 2024, as renúncias fiscais relacionadas a bolsas de estudo passaram dos R$ 8 bilhões.
“Parece um mercado “patinho feio”, que poucas pessoas olham, mas tem muita oportunidade e gera esse valor social muito forte, quando se dá a bolsa para a pessoa ser certa. No fim do dia, somos uma fintech de crédito”, explica Maia, ao falar sobre a proposta de valor da Educaopen.
Crescimento e planos
Segundo os fundadores, a virada para educação trouxe um crescimento consistente. Entre 2024 e 2025, a companhia conseguiu crescer 800%, uma marca que inclusive chamou a atenção de investidores. Em 2025, a Educaopen fez sua primeira captação, levantando uma rodada anjo com investidores estratégicos, incluindo nomes como um dos fundadores da badalada fintech NG.CASH, Antonio Nakad.
Conforme revela Daniel Carneiro, o cheque levantado foi “mais do que o suficiente” para impulsionar o desenvolvimento do produto do modelo de negócio, que hoje já roda com cash flow positivo.
Com a saúde financeira da fintech em dia, o foco dos fundadores agora é aprofundar a presença no setor educacional e expandir geograficamente. A meta para 2026 é ampliar a base de instituições atendidas e sofisticar ainda mais os modelos de decisão.
“Esse ano a gente vai para um crescimento muito acelerado nas instituições de ensino, com foco total na Educaopen. Ela virou o ponto central da nossa tese de negócio”, afirma Maia.
Segundo Daniel Carneiro, se de 2024 para 2025 a Educaopen cresceu oito vezes, um número até esperado para startups early stage, o desafio agora é manter esse embalo. “Nossa meta para esse ano é multiplicar por cinco a receita que geramos no ano passado, o que daria cerca de 10% das instituições que recebem algum tipo de benefício por conta do ProUni ou do CEBAS. A gente ainda está só no começo do que dá para fazer com dados no setor educacional”, finaliza o executivo.
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